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Itu
412 anos

História de Itu - SP

Oitava cidade mais tradicional do Estado de São Paulo, a Estância Turística de Itu possui uma história riquíssima em acontecimentos e personagens, que a tornam importante para toda a narrativa política, econômica e cultural do Brasil. Sua grandiosidade se comprova pelos tantos títulos que ganhou ao longo do tempo como “Boca do Sertão”, “A Fidelíssima”, “Roma Brasileira”, “Berço da República”, “Cidade Cinema” e “Cidade dos Exageros”, tornando-a famosa por todo o país.

Sua fundação ocorreu em 2 de fevereiro de 1610, quando o bandeirante Domingos Fernandes e seu genro Cristóvão Diniz construíram juntos uma capela dedicada à Nossa Senhora da Candelária, no lugar onde hoje é a Praça do Bom Jesus. Na época, a região de Itu (do indígena Utu-Guaçu) era habitada por desbravadores paulistas e portugueses, que fizeram ali um ponto de apoio e saída para expedições. Mas nessa mesma localidade, padres Jesuítas já realizavam a catequização de índios Guaianazes desde 1553.

Nos primeiros anos, Itu pertencia à Freguesia de Santana do Parnaíba, mas com o passar do tempo o povoado ao redor da capela cresceu e as atividades econômicas também. Então, em 1657 foi elevado à categoria de Vila e ganhou o direito de possuir uma Câmara Municipal.

Durante quase 100 anos (de 1657 a 1750) a Vila de Itu, que abrangia os atuais municípios de Porto Feliz, Piracicaba, Cabreúva, Indaiatuba, Monte Mor e Salto, não passou de um pequeno núcleo que contava com casas e o Convento e Capela da Ordem Terceira, erguido pelos padres Franciscanos.

Com uma localização privilegiada, Itu tornou-se ponto de comércio na rota bandeirista entre o sul do país e as regiões mineradoras do Mato Grosso e Goiás. Considerada “A Boca do Sertão”, por ser a última etapa de penetração interiorana.

A economia local foi se desenvolvendo com as monções e expedições fluviais que partiam daqui, e depois com o estabelecimento de famílias e o surgimento das fazendas que exploravam o cultivo da cana de açúcar. Nesse período, a religião ganhou força na Vila com a construção de igrejas como a Capela de Santa Rita (1728), a Igreja Nossa Senhora do Carmo (1774), a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária (1780) e a do Bom Jesus (1765).

Itu se transformou em 1811 na sede da 4ª Comarca – instituição administrativa de cunho jurídico que abrangia as cidades de Itapetininga, Porto Feliz, Campinas (São Carlos), Sorocaba, Itapeva e Apiaí, além das freguesias de Capivari, Indaiatuba, Cabreúva e Monte Mor. Sua jurisdição se estendia de Franca (SP) até Curitiba (PR). Hoje a Comarca de Itu é responsável apenas pelo município de Cabreúva.

Com uma câmara atuante e fiel, em 1823, Itu recebeu o título de “A Fidelíssima” do Imperador Dom Pedro I por ser a primeira a apoiar a Independência do Brasil”.

Em 1842, a Vila foi elevada à cidade já com cerca de 800 casas e a economia vivia um fabuloso momento com a exportação da cana. A partir de 1850, Itu foi considerada a cidade mais rica da Província de São Paulo, com forte poder econômico e político. Acompanhando o crescimento, foram construídos e reformados os principais casarões, igrejas e conventos, atraindo muitos intelectuais e membros da igreja para a cidade.

O plantio de cana de açúcar entrou em decadência em 1860, quando ocorreu uma grande crise no mercado internacional, gerando conflito entre os políticos e os fazendeiros ituanos contra o Governo Imperial. Assim surgiu o Movimento Republicano que resultou, em 1873, na realização da Primeira Convenção Republicana no Brasil e na Proclamação da República em 1889. O primeiro presidente civil do país, Prudente de Moraes, era ituano e foi eleito com voto direto. Por esses acontecimentos, Itu é chamada de “Berço da República”.

Então entrou em cena o café. Os fazendeiros buscaram na Europa os imigrantes para substituírem os escravos na produção que só aumentava. Com a ajuda do governo republicano, proclamado em 1889 vieram para Itu milhares de imigrantes, a maioria italianos. O café foi à base da economia do município até 1935, ano da maior produção, decaindo depois, pela concorrência de outras áreas de plantio e pelo esgotamento de suas terras.

Itu também foi um dos municípios a explorar em larga escala o cultivo de algodão. O vestuário produzido atendia pobres, escravos e se transformava em peças finas para exportação. Foi em Itu também que se instalou a primeira fábrica movida a vapor na província de São Paulo: a Fábrica de Tecidos São Luiz, em 1869. O ciclo do algodão foi responsável por estimular a industrialização da cidade.

A partir de 1950, novas indústrias se instalaram em Itu, principalmente as de cerâmicas. Ocorreu grande migração rural em busca de trabalhos nas fábricas. O importante polo de produção de telhas e tijolos chegou a ter mais de 50 empresas em atividade na área. A cidade começou novamente a crescer com a abertura de diversos loteamentos na periferia. Itu já não tinha a mesma importância de antigamente, sendo influenciada pela Capital do Estado, já então uma metrópole.

Com a construção da rodovia Castelo Branco (SP-280) em 1967, ligando São Paulo ao Oeste paulista, novas indústrias instalaram-se em Itu, principalmente às margens de suas estradas de acesso. Hoje, sede de grandes grupos nacionais e internacionais.

Nesta mesma época, Francisco Flaviano de Almeida, o conhecido “Simplício”, iniciou a fama de Itu como a “Cidade dos Exageros”. O humorista participava de um programa televisivo chamado de “Praça da Alegria” (TV Tupi), interpretando o caipira Osório e contava vantagens sobre sua terra natal, tudo de forma exagerada. Esta brincadeira acabou intensificando o fluxo de turistas na cidade, que procuravam conhecer os objetos gigantes. Então, em 1979, Itu recebeu o título de Estância Turística do Estado de São Paulo. Hoje, o turismo é responsável por contribuir com grande parte da economia.